Depois de muitos questionamentos da família e de amigos pelo whats'up ou redes sociais resolvi postar a explicação que considero mais plausível para esse fênomeno da internet.
A retina tem 2 tipos de células: cones e bastonetes. Os primeiros são responsáveis pela visão diurna, mais detalhada e colorida e se encontram mais centrais na retina. Os bastonetes são fotorreceptores que ficam mais periféricos e tem como principal função a visão noturna (ou em ambientes com pouca luminosidade).
Basicamente temos 3 tipos de cones: L, M e S. Esses últimos foram descobertos há não muito tempo e são mais sensíveis à cor azul, sabe-se que estão localizados mais próximos dos bastonetes (30º centrais).
Pois bem, ao vermos uma imagem com bastante luminosidade os cones responsáveis pelo verde-vermelho agem mais, já nas com pouca luminosidade os cones S funcionam melhor (no caso da foto do vestido).
Porém existem variações individuais, as pessoas que tem os cones L e M não apenas na região mais central da retina verão o vestido dourado e branco, já as que que tem os cones L-M bem centrais verão preto e azul. É possível inclusive que uma mesma pessoa veja a imagem com cores diferentes dependendo do horário do dia.
Outra fato a ser considerado é que pensando em comprimentos de onda, os bastonetes são um pouco sensíveis ao verde, mas nada sensíveis ao vermelho, dessa maneira, raciocinando em combinações de cores isso explicaria o porque num ambiente com pouca luminosidade como o da foto as matizes mais próximas do vermelho seriam mais difíceis de serem reconhecidas. Ao olharmos uma rosa pela manhã o vermelho é muito mais evidente, porém ao entardecer as folhas verdes acabam se tornando muito mais proeminentes aos nossos olhos.
Mas para os que ainda não sabem: o vestido é azul e preto.
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
QUAIS AS PERGUNTAS MAIS COMUNS PARA O OFTALMOPEDIATRA?
Por que se preocupar com a visão de uma criança?
Os bebês tem uma visão bem rudimentar ao nascer; para obter
desenvolvimento adequado as crianças precisam de uma conexão eficaz entre os
olhos e o cérebro. Se há algum problema que interfere com a visão em um ou ambos
os olhos, as conexões do olho para o cérebro podem não se desenvolver
corretamente.
Quando eu deveria examinar os olhos do meu filho?
O primeiro exame é realizado na maternidade, onde se observa
através do “teste do olhinho” (obrigatório em alguns Estados) se existe alguma
anomalia que impeça a luz de atingir a retina (catarata congênita,
retinoblastoma, doenças infecciosas , etc).
Após esse período o pediatra e os pais devem levar seu filho ao oftalmologista
caso notem sinais característicos como estrabismo, aversão à claridade, olhos
vermelhos, dificuldade para enxerga, coceira, etc. Porém é imprescindível que
entre 2 anos e meio e três anos de idade a criança vá ao oftalmologista.
Como é feito o exame?
O exame oftalmológico inclui a mensuração da acuidade visual
(seja por letras, símbolos ou desenhos, dependendo da idade da criança), avaliação
do alinhamento ocular e visão binocular, teste de cores (quando a criança já pode
colaborar com o exame),biomicroscopia (avaliação das estruturas anteriores do
olho como córnea, conjuntiva e cristalino), mensuração de possíveis ametropias (
grau de óculos) sob dilatação pupilar e exame de fundo de olho. Ao dilatar as
pupilas o efeito dura em média seis horas ou mais após a visita. Durante esse
tempo, sensibilidade à luz e visão borrada, principalmente para perto são as
queixas mais comuns.
Quais são os sinais ou antecedentes mais relevantes para o oftalmologista?
Houve algum problema durante a gravidez ou no parto? Existe
algum atraso do desenvolvimento neuro-psico-motor? Existe histórico de
problemas oculares na família? Seu filho tem alguma doença sistêmica? Seu filho
é alérgico? Já foi submetido a alguma cirurgia? Você nota alguma dificuldade visual na
criança? É comum ao ler ou desenhar aproximar muito os olhos do papel? Você
observa dor de cabeça após esforço visual (bricar em tablets, ver tv, ler,
desenhar, etc)?
Quais são os problemas mais comuns de visão na infância?
Quatro a seis por cento das crianças têm problemas oculares.
Os três tipos mais comuns de problemas são o estrabismo, ambliopia e os erros de
refração (miopia, hipermetropia, astigmatismo). Estrabismo é o termo médico
utilizado quando os olhos não estão alinhados (fisiológico nos primeiros meses
de vida). Depois de quatro a seis meses de idade as crianças não devem mais ser
estrábicas (vide post anterior do blog). A ambliopia, que é às vezes chamado de
"olho preguiçoso", refere-se ao desenvolvimento anormal em um ou
ambos os olhos durante o período de desenvolvimento visual (vide post anterior
do blog). Quanto mais cedo for detectada melhor será o prognóstico.
Como oftalmologistas examinam os olhos de um bebê?
Muitos pais ficam surpresos ao descobrir que um exame
oftalmológico completo pode ser executado em seu bebê. Pode-se ter uma boa estimativa
da privação visual com base na forma como eles usam seus olhos para olhar e
seguir brinquedos atraentes e luzes. Não importa como a visão é testada, é
importante verificar cada olho separadamente. Caso haja suspeita de visão ruim,
pode-se utilizar testes eletrofisiológicos (Potencial visual evocado de
varredura) que permitem uma estimativa satisfatória da acuidade visual. Além
disso, ao dilatar as pupilas, através de um aparelho conhecido como
retinoscópio, podemos saber se a criança apresenta algum grau de ametropia
inadequado para sua faixa etária.
Por que são colírios necessários?
Uma das partes menos agradáveis, mas essenciais de um exame
de vista é dilatar as pupilas. Este procedimento não só permite ao médico visualizar
o interior do olho, mas é importante também no relaxamento temporário do poder
de foco da criança para que miopia, hipermetropia ou astigmatismo possam ser
medidos com acurácia.
Como a parte interna do olho é verificada?
Uma vez que os olhos do seu filho estão dilatados, o médico
utiliza instrumentos especiais para verificar as estruturas internas do olho. O
interior do olho é onde se localiza a retina e o nervo óptico. A retina
processa informação visual em sinais que são enviados através do nervo óptico
até ao cérebro. O próprio nervo óptico, bem como os vasos sanguíneos que
alimentam a retina, pode ser visto na parte posterior do olho.
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
TERAPIA GENÉTICA E OS OLHOS, NOVO AVANÇO PARA RETINOSE PIGMENTAR
A retinose pigmentar (RP) representa um grupo de distúrbios
genéticos que afetam a capacidade da retina para responder à luz. Esta doença
hereditária provoca uma perda lenta da visão, começando com a diminuição da
visão noturna e perda de visão periférica (lateral).
![]() |
| Olho com retinose pigmentar |
![]() |
| Olho com retina sem alterações |
A retina é a camada de células sensíveis à luz que reveste a parte de trás do olho e converte os raios de luz em impulsos nervosos. Os
impulsos são enviados através do nervo óptico para o cérebro, onde eles são
reconhecidos como imagens. Na RP, as células da retina conhecidas como
fotorreceptores (bastonetes e cones) vão de degenerando progressivamente. A
distrofia começa nas regiões mais externas da retina que são responsáveis
pela visão periférica e noturna (bastonetes) e invariavelmente vão afetar os
cones, responsáveis pela visão de cores e central.
Essa doença não tem cura, porém muitas pesquisas com terapia
genética vêm sendo estudadas. Um artigo interessante, utilizando ratos como
modelos teve bons resultados em fases mais adiantadas da doença. Injetando-se
um vetor viral com gene modificado na retina de ratos que já tinham aproximadamente
metade das células fotorreceptoras degeneradas houve reversão da doença.
Essa notícia é estimulante, pois a grande maioria dos pacientes
com RP são diagnosticados em fases mais adiantadas da doença. Até então estudos
com terapia gênica tratavam modelos animais em fase precoce, esse trabalho representa
avanço importante no tratamento futuro dessa distrofia.
Segue a revista publicada e link para resumo: Hum Mol Genet. 2014 Jan 15;23(2):514-23 http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/24101599
quarta-feira, 17 de setembro de 2014
IPad para o Tratamento da Ambliopia (olho preguiçoso)
O tratamento tradicional da ambliopia (olho preguiçoso) é o
uso da oclusão no olho são para estimular o olho comprometido. Porém, novas
teorias vem surgindo, nas quais o estímulo binocular poderia ser fator adjuvante
na terapia oclusiva.
A utilização do iPad pode ajudar a tratar a ambliopia em
crianças pré-escolares, auxiliando na prevenção da recorrência, de acordo com
um novo estudo.
Usando óculos especiais com diferentes níveis de
luminosidade em cada olho, as crianças jogam no tablet jogos como TETRIS, PONG
e LABIRINTH estimulando os dois olhos ao mesmo tempo. O que é único sobre o tratamento do iPad é
que o contraste das imagens apresentadas para o olho normal é reduzida, em
comparação com as imagens de alto contraste apresentadas ao olho amblíope,
criando as condições necessárias para que a criança amblíope possa combinar
informações dos dois olhos ao mesmo tempo.
Nas avaliações de seguimento de 3 e 6 meses após o período
de tratamento, nenhuma das crianças tiveram recorrência da ambliopia.
O tratamento ainda não está completamente pronto para uso
clínico geral, novos estudos devem dar mais embasamento aos resultados. Já
existe um estudo multicêntrico em andamento
que esperamos que corroborem os dados encontrados. De qualquer maneira
associar jogos ao tratamento da ambliopia me parece muito útil e promissor,
principalmente no que tange a adesão ao tratamento.
É esperar pra ver.....
Segue o link com o resumo do artigo: http://www.nature.com/eye/journal/vaop/ncurrent/full/eye2014165a.html
sexta-feira, 18 de julho de 2014
LENTE DE CONTATO QUE AUXILIA NO CONTROLE DA GLICEMIA
No início do ano a mídia publicou que a Google X estaria desenvolvendo uma lente de contato com um microchip que através de um sensor muito fino (menos espesso que um fio de cabelo) seria capaz de detectar níveis de glicose na lágrima e consequentemente auxiliar no controle de pacientes diabéticos. Na última semana foi noticiado que a empresa estabeleceu parceria com a Novartis (que tem como braço oftalmológico a ALCON) para desenvolvimento da lente!
A lente de contato inteligente utiliza sensores para analisar o filme lacrimal, detectar níveis glicêmicos e em seguida os dados são transmitidos sem fio para um dispositivo móvel, que permite aos pacientes saber o nível de açúcar. Em um comunicado o co-fundador do Google Sergey Brin disse: "Nosso sonho é usar a última tecnologia na miniaturização da eletrônica para ajudar a melhorar a qualidade de vida para milhões de pessoas."
Além da mensuração para diabéticos a Novartis também espera desenvolver a uma lente de contato que possa restaurar com o tempo a acomodação, ou seja, ajudaria na correção da presbiopia (dificuldade da visão de perto).
Estudos precisam ser realizados para averiguar a confiabilidade e a reprodutibilidade da medida glicêmica da lente, mas principalmente quais seriam os parâmetros de açúcar ideais na lágrima.
As notícias são ótimas, todos temos amigos ou parentes diabéticos e sabemos o desconfortos das picadas diárias, que a tecnologia venha para amenizar o desconforto.
quinta-feira, 6 de março de 2014
TREMOR PALPEBRAL (Mioquimia Palpebral )
Usualmente
temos no consultório pacientes com a queixa de que o olho está
“pulando”. Na verdade, o que ocorre são contrações do
músculo orbicular da pálpebra, geralmente unilaterais, benignas e
auto-limitadas. A esse fenômeno damos o nome de Mioquimia, que pode ocorrer em qualquer músculo do corpo humano.
O motivo pelo qual ocorre esse tremor ainda é uma incógnita. A causa mais importante é o estresse associado à falta de sono e a ansiedade. Possíveis fatores precipitantes incluem a cafeína ou a ingestão excessiva de álcool.
O motivo pelo qual ocorre esse tremor ainda é uma incógnita. A causa mais importante é o estresse associado à falta de sono e a ansiedade. Possíveis fatores precipitantes incluem a cafeína ou a ingestão excessiva de álcool.
A média da
duração dos sintomas é variável, podendo chegar a 90 meses (J Neuroophthalmol.
2004 .Chronic myokymia limited to the eyelid is a benign condition).
O
tratamento da mioquimia baseia-se no tratamento das causas supracitadas. Quando
associadas a outros sintomas (contração de outros grupos musculares, fadiga,
náuseas, arritmias) outras análises neurológicas devem ser feitas. Embora
alguns colegas advoguem o uso da toxina botulínica, seu uso deve ser limitado a
casos refratários e de longa duração, pois sempre existe o risco da injeção
afetar outros músculos extra-oculares, O uso de análogos do complexo B parece
exercer alguma melhora, além de não ter efeitos colaterais nas dosagens
corretas.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
Terapia Genética para Doenças de Retina Hereditárias: O Tratamento da Amaurose Congênita de Leber
A segurança e a eficácia da terapia genética para doenças hereditárias de retina está sendo testada em seres humanos afetados com amaurose congênita de Leber , uma doença autossômica recessiva em que a criança praticamente nasce cega.
Três estudos independentes forneceram evidências de que a administração sub-retiniana de um vetor viral com o gene modificado (RPE65) se mostrou eficaz em alguns casos.
Os casos que tiveram melhora persistiram com ganho de visão 18 meses depois do procedimento, sugerindo que a melhora funcional era duradoura. A persistência do efeito terapêutico demonstra que a terapia genética pode influenciar a progressão da doença e que a segurança da intervenção e a estabilidade da função visual nestes indivíduos dão suporte à utilização de terapia de reposição de genes para o tratamento de doenças retínicas hereditárias.
Outras terapias vem sendo testadas para algumas moléstias. A retinose pigmentar (ou retinite pigmentária) uma distrofia de retina muito mais prevalente que a amaurose de Leber já mostrou melhora em ratos tratados com terapia genética (Human Moecular Genetics).
Para os oftalmologistas essas notícias soam como música, pois o único auxílio que podemos dar para esses pacientes até hoje é o diagnóstico precoce e aconselhamento genético. Que venham outros estudos para outras doenças!!
Para os que tiverem interesse seguem os links dos artigos:
http://www.nature.com/mt/journal/v18/n3/full/mt2009277a.html
http://hmg.oxfordjournals.org/content/early/2013/10/04/hmg.ddt452.abstract
Três estudos independentes forneceram evidências de que a administração sub-retiniana de um vetor viral com o gene modificado (RPE65) se mostrou eficaz em alguns casos.
Os casos que tiveram melhora persistiram com ganho de visão 18 meses depois do procedimento, sugerindo que a melhora funcional era duradoura. A persistência do efeito terapêutico demonstra que a terapia genética pode influenciar a progressão da doença e que a segurança da intervenção e a estabilidade da função visual nestes indivíduos dão suporte à utilização de terapia de reposição de genes para o tratamento de doenças retínicas hereditárias.
Outras terapias vem sendo testadas para algumas moléstias. A retinose pigmentar (ou retinite pigmentária) uma distrofia de retina muito mais prevalente que a amaurose de Leber já mostrou melhora em ratos tratados com terapia genética (Human Moecular Genetics).
Para os oftalmologistas essas notícias soam como música, pois o único auxílio que podemos dar para esses pacientes até hoje é o diagnóstico precoce e aconselhamento genético. Que venham outros estudos para outras doenças!!
Para os que tiverem interesse seguem os links dos artigos:
http://www.nature.com/mt/journal/v18/n3/full/mt2009277a.html
http://hmg.oxfordjournals.org/content/early/2013/10/04/hmg.ddt452.abstract
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